sexta-feira, 2 de novembro de 2012

faz sentido

Sentada na calçada, o sol ilumina seu sorriso. Falta-lhe dois ou três dentes, mas não importa. Muita gente de sorriso completo não tem c'alma, e ela tem.

O tempo passou.

Observou os passarinhos nas poças d'água, ouviu barulhos de pratos e copos vindo das casas vizinhas, brigas, o som do mundo. Ouviu tudo, a tarde toda. Não se cansou. Esteve durante horas presa em algumas idéias irreais, que sua cabeça perturbava e insistia em fazer sua realidade.

Mas não. Mas sim. Tremenda confusão.

Meio pálida, meio feliz, meio triste, meio morna, o centro de seu universo era o meio de sua loucura. E assim seguiu boa parte da vida. Tentando a compreensão que não lhe alcançava.

Levantou-se, não sentia as pernas.

Lembrou-se do mamão que traçou no café da manhã, dores estomacais começam a lhe fervilhar o ventre, embananou-se, suadeira, medo, tensão, banheiro. E agora? Perdeu-se no desespero e pegou o veículo de massa. Dizem que é público, mas ela paga ao entrar.

Sua bunda suava. Seu cabelo desgrenhava, seu lábio secava, sua cabeça girava no meio de tanta gente. Todos falando ao mesmo tempo. Todos com grandes idéias, grandes ideais, grandezas e mais grandezas. Tristezas, fraquezas, viu de tudo. Sempre em potencial.

O ônibus chacoalhava em alta velocidade. E ninguém percebia o perigo de estar ali. Somente ela conseguiu levantar os braços, dar o sinal e descer.

Amenidades, amenidades - dizia ela. Banheiro! Era tudo de que precisava, amenidades e um bom lugar para cagar.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

procrastinando do almoço ao Jô Soares

E não faço porra nenhuma. Sigo referindo-me a uma vida que não existe mais. Algo doente, imbecil, meu.

Uma ameba parnanguara que nem circo consegue fazer dessa vida.

Penso em Curitiba, mas curitibanos me enojam. Reacionários e preconceituosos. Já me basta a cidadezinha machista e seus pequenos burgueses.

O dia demora a passar, atividades domésticas não foi o que sonhei para mim. Estudos e livros, não tenho com quem conversar. E pra dormir, insônia.

.fucking-ócio-Paranaense.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

acredito nas flores

Viramos bichos que não podemos mais amar livremente, robotizados pelo romantismo das novelas, o mito do amor perfeito, cara-metade, alma gêmea. Tudo conceito furado pra vender livros de auto-ajuda.

Vou vender-me pro mundo. Falar o que sentir, na hora que desejar. Posso criar uma nova religião se quiser. Posso convencer quem estiver ao meu lado que o amor imperfeito pode ser sim mais bonito e menos doloroso que aquele romântico, cheio de palavras bonitas e declarações.

Posso dizer que sinto nos pés o mundo que amanhã será meu. Porque não.

Poderei mentir e gozar desse poder de inventar a verdade.

Meu jardim será repleto de belezas incertas, puras e sempre verdadeiras.

Amém.

domingo, 12 de setembro de 2010

Gracinha do papai arranca cabelos do sovaco e vai para a platéia.

E foi assim que tudo começou.

Parti para me recuperar do salto triplo. Um mosh muito mal dado. Ninguém compreendeu meu momento de insanidade. Nem eu.

Depois de me esborrachar no chão percebi o quão estúpida ei de ser. Tenho potencial para imbecilidades. Depois do show, cheguei em casa, tomei um banho e fui dormir rindo. Louca. (pensei)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

o negócio é escrever mesmo

Tá todo mundo me olhando. Eu to rindo pro espelho. Me calo ao sentir que serei lembrada pelas cagadas que faço, pela carência acometida no desespero do desemprego. O fucking-ócio-Paranaense! Ah vá! Pulei amarelinha para passar o tempo, me exercitei. Abdominais, corridas, voltas de bicicleta para lugar nenhum.

Me caguei toda essa semana. Mas retomei as rédeas.

Tento retirar-me do caos teórico que esta cidade me deixa. Sem nada pra fazer, sem alguém me me acompanhe às minhas viagens a Lua.

Porra, deixei de saber o que exatamente faço aqui.

Blog sim. Terapia nunca!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

La Fusa

Quero meu espaço, meus vinis tocando sem pressa, sem ordem nem pausa. Meu muro pintado de verde, de preto, de rosa, escrito as frases da vida, aquelas que me mostram de frente. Quero minha casa, meus talheres, meus livros espalhados, minhas calcinhas bordadas por mim, uma de cada cor.

Poeticamente correta.

Meus dedos coloridos de tinta, de tesão, de vida, amor, mentiras. Quero aqueles momentos sublimes de tristeza. A tristeza de Vinicius. A tristeza de se saber mulher. Quero minhas roupas sujas de barro, de água da chuva, de sorvete, suco e marcas infantis. Desejo ver meu céu do jeito que ele for. Cinza, azul, negro, com ou sem estrelas. Meu café posto na hora da fome e meu conhaque a qualquer momento da vida.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

oi. Tudo bem? (sei lá)

O céu desce dando-nos bom dia. Apresenta-nos o sol e nos abençoa com a chuva. Os filmes na locadora, a pipoca no fogo, e o War na mesa.

Domingo, segunda, quinta-feira. Tanto faz.

A cerveja gela enquanto enchemos nossos copos com refrigerantes.

Tudo parece normal, e normal está. Retiro-me do caos em que me deixaste ao sair sem desejar-me boa noite. Desejei-te boa noite.

Nos tornamos membros de uma legião de bundas, de futilidade e falta de sensibilidade. Apenas o que convém ao material. Seja ele qual for. Um corpo, uma posição social, um adesivo do PSOL colado na traseira do carro. Apenas material em processo avaliativo.

Todos avaliam.

Me isento dessa posição. Prego-me na cama. No livro. Na vitrola.

Prefiro a organização do belo, do calmo. Da paz. E do feio, porque não. Sendo assim, me sirvo da vida a forma que ela me apresenta. Mas se estou bem?


sei lá.