quarta-feira, 17 de junho de 2009

me perdi

Os livros previam, as musicas aconselhavam, ainda sim, deixei cegar-me.
Não são carinhos, olhares, toques, nada disso. Pura subjetividade correndo nas veias, faz-se a vontade de meu sonho tornar-se sua morada, sua vila. Nossa fantasia. Falo por nós, pq sou Ego. Mas posso melhorar. Farei o disco tocar uma, duas até três vezes. Farei muito melhor que isso.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

lambe lambe - Elisa Lucinda


Passam muitas pessoas no saguão dos aeroportos.
Passam neste aeroporto da agora,
e eu, no meu pensamento,
não me comporto,
imagino elas fodendo:
fulano com fulano,
são casados, gozam, fazem planos?
E ela, quer logo que acabe?
E ele, penetra rosnando?
Fantasio as inúmeras possibilidades de encaixes,
em como foram as noites de amor que tiveram para fazer essas
crianças chinesas africanas alemãs francesas mexicanas libanesas
brasileiras cabo-verdianas espanholas cubanas holandesas
senegalesas turcas e gregas.

(meu pensamento é inconveniente mas ninguém sabe,
escrevo num café, estou, por fora, muito chique no cenário
e nitidamente estrangeira.)

Agora passam dois homens.
Sentam à mesa ao lado.

Falam germânico mas a tradução é da mais alta putaria,
Uma iguaria da mais pura sacanagem!
Eu sei, são gays. Eles não sabem que eu sei.
Pensam que escrevo o abstrato
E capricham descansados ao colo do idioma que não alcanço.
Mas sou poliglota na linguagem dos molhares,
cílios a mais antiga cortina do mais antigo teatro
na pátria universal dos gestos, meu bem!
Eles não escapam.
Um chupa muito o outro, que eu sei,
e o magrinho gosta de dar por cima e de lado.
Importante dizer que dentro desse meu pensamento safado
também não tem pecado.
Só me diverte
Ver o que todos negam,
O que não se diz no social,
Uma radiografia verbal da intimidade alheia é o que faço aqui,
Sem que ninguém suspeite,
Sem ninguém me permitir.

Aquele tem pau pequeno e, pior que isso,
e, mais que suas parceiras, acha isso um problema.
Aquele ali também tem, mas arde na cama e se empenha muito
compensando a diferença.
Aquela, num outro esquema,
diz não gostar da coisa
e fala sem parar.
Só uma pirocada de jeito para fazê-la calar.
A gostosa gordinha engole a espada todinhada
quele altão desajeitado,
cujo grosso membro se torna,
em meio às coxas dela, disfarçado.

E o velhinho punheteiro
De pau mole com jornal no colo?
Talvez seja o único a adivinhar o teor dos meus escritos,
dado que me olha dissimulado e constantede modo a nunca perder meus segredos de vista.

(Com licença mas é dessa matéria hoje minha poesia)

Enxerida, vejo a mulher com cabelo cortado à la moicano
Com a menina que iniciara a tiracolo,
Feliz sem ser por ela lambida
E sem saber no que estou pensando.

Passam as pessoas
no saguão do aeroporto,
fingem que fazem check-in
fingem viajar sérias e de férias,
fingem estar trabalhando...
mentira,
pra mim ta todo mundo trepando!


quinta-feira, 28 de maio de 2009

{tocando viola de papo pro ar}

só quero tirar coisas boas dessas esquisitices, mais criatividade e implantar sorrisos nos diversos planetas que poderíamos estar. Planetas esses que deveríamos ir, qualquer dia desses.
Apelidando-os de bar, ou de calçada. Apelidando qualquer que seja esse desconhecido, desse estranho sentimento, estranho amigo.
és de uma beleza indiscreta, que perturba e acalma. Eternizando-se com a mais pura forma de sensibilidade.
O vagabundo formal.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

{só acredito nos meus finais de semana}

é tão simples, tão raro e puro quanto eu pude perceber, que com o tempo passando tão rápido, em alguns instantes me vi cegada por razões que brotaram e germinaram nesse jardim tão eclético e disforme. colhendo algo curioso, que cutuca, futuca e transborda com facilidade das minhas emoções imaginárias. Cabeça que viaja, estou explodindo em segredos, segredos mínimos, para simples emoções e singelas curiosidades. Ando desconfiando do meu próprio umbigo, desconfio do outono, da minha inércia diante da vida.

terça-feira, 26 de maio de 2009

{quanto vale o show} {?}

ainda sem resposta. Estou esperando alguma bola de boliche descer do céu desnorteada e acertar bem no meio da djanka para me fazer falar alguma coisa, o grito de misericórdia mandar todo mundo tomanocu e me aposentar pra sempre. Na janela do meu apartamento tem grades, isso é bom. Domingo seria o dia do grande salto. Irei adiar a minha jornada ao desconhecido deixar isso para o famoso e tão obstinado destino.
O mesmo domingo que eu tanto admirei por ver o sol nascer e desejar isso.
é o drama da terça-feira. Choramingando hoje, certamente irei choramingar amanhã, pelo hoje que eu perdi, e depois o choramingo se tornará uma revolta com o mundo que eu criei. Que saco isso. Não consigo concluir um único raciocínio. O que seria isso, afetação particular. Particularidade demais.
Palhacice dispersa?
Não to afim, tenho que me conformar. Simplesmente, não to afim.. Hoje não.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

{é preciso ver o sol nascer}

não sei se são novelas, produtos de publicidade, educação, mas existem muitos vilões que esvaziam a cabeça das pessoas que esbarramos por esse mundão afora. Tem tanta coisa boa pra nos preocuparmos, como um bom filme, um bom livro, um disco, um brinquedo velho, uma brincadeira, passar o domingo de manhã dormindo, ou vendo o sol nascer.
Não podemos deixar perdido algo tão valioso, em parte alguma. Se acontecer, e acontece, que seja encontrado rápido. Clamaria até pela inocência, se pudesse ser bem utilizada, mas creio que não. Viraria idiotice.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

passe o bastão pela panela e bata a porta

não precisa fazer sentindo, estou de estômago cheio, conversando com o fantástico homem nu, percebendo minhas vontades de fazer algo pra me esquivar desse caso usual.
várias ideias acendem nos meus inúmeros impulsos de mãe-menina-mulher, ou seja lá o que isso representa. Bata a cabeça, bata as mãos, desafine os garfos no prato, esfregue uma mão contra a outra. A favor de qualquer barulho que possa ser transformado, e desafine.
Estrague o bar, não volte mais e fique mudo. Sinta essa quarta-feira pré almoço, com todo mundo nu, nesse mesmo teto, nessa casa, tentando fazer algum barulho pra que alguém ouça.
Pra que sintam o que está por vir, pratos e louças souvenirs quebradas, fazendo outro papel em minha vida, para que essa parafernália toda consiga se sobressair de alguma forma, caindo, quebrante e desafinada, é preciso ficar nu, estar desarmado e se entregar pra esse mundo sem plétes, apenas a cara amarela e os ossos em evidencia.
Suas palavras são de extrema valia, e por um segundo que desafiaste meu barulho, eu também ficaria nua com uma tarja preta nas mãos e nos pés. com os dizeres, estale os dedos e saia cantarolando.
Retire-se destas roupas, agora!